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Centro de Lutas Nelson Morimoto
CREF 124-E/SP

Apostila de Judô

1.11 - JIGORO KANO:

Jigoro Kano nasceu em outubro de 1860, na província de Hyôgo, Japão, terceiro filho do casal Jirosaku e Mareshiba Kano. Perdeu a mãe aos dez anos de idade, mas sua influência de educadora dedicada foi sentida por toda a sua vida. Era uma época de grandes transformações no país.

Aos onze anos foi estudar em uma cidade grande, e aos quatorze ingressou numa escola dirigida por professores estrangeiros, como interno. Era um aluno brilhante e tornou-se líder da sala de aula, mas tinha um problema, era muito fraco fisicamente. E o seu desejo era ficar forte, pois volta e meia sofria agressões de outros alunos.

Em 1878, então com dezoito anos ingressou no curso de Letras da Universidade Imperial, hoje Universidade de Tokyo, estudou Filosofia, Política, Economia política entre outras matérias. O seu pai sempre o aconselhou a trabalhar pelo bem da coletividade, por isso aspirava ser político. Dedicou-se muito aos estudos, tinha o Inglês perfeito, e os seus cadernos eram carinhosamente cuidados. Nessa época começou a treinar o Ju-jitsu, estudava de dia e a noite freqüentava a academia, dedicando-se ao máximo.
Jigoro Kano que era uma pessoa muito inteligente, após muito treino e estudo começou a encarar o Ju-jitsu de uma outra maneira, achava que aquela simples forma de luta poderia ter uma utilidade muito melhor e começou a se aprofundar em pesquisas e estudos para transformar aquele tipo de luta em Educação Física.

Na época de sua formatura, em 1881, seu entusiasmo pela política decresce. E se concientiza que a educação é a razão da sua vida, ficou mais uns tempos na Universidade para se aperfeiçoar melhor. Começou a lecionar Política e Economia política no Colégio de Pares, e seguindo o conselho de seu pai e especialmente o deixado pela sua mãe, resolveu aperfeiçoar o Ju-jitsu, em benefício do corpo e da mente, tornando-se assim uma cultura para ser difundida pelo mundo inteiro.

Kano assimilou as técnicas de vários estilos de Ju-jitsu, eliminou os golpes contundentes e racionalizou os treinamentos e os seus objetivos, e ainda acrescentou novas técnicas para fundar assim o Novo Ju-jitsu. Como o Ju-jitsu naquela época estava marginalizado ele passou a chamá-lo de JUDÔ KODOKAN. Assim em 1882 nasce a primeira academia de JUDÔ, com apenas 12 tatâmis, no Templo de Eishôji no bairro de Shitaya, Kita-Inaritchô, na capital japonesa, com apenas nove alunos.

Mas como as estruturas do dojô (área de treinamento) eram muito precárias, acabaram tendo que desocupar o local, assim Kano construiu com muito sacrifício uma nova, mas pequena academia. Todos ficaram contentes por terem um novo local para treinamento, porém as dificuldades foram aumentando, o salário de professor de Jigoro Kano dava muito bem para uma pessoa só, mas tinha que arcar com todas as despesas da academia mais o sustento dos alunos, que a maioria vinha de fora e escondido da família que não compreendia o espírito do JUDÔ. Tsunejiro Tomita, o primeiro aluno de Kano comentou uma vez que costumava pintar o chapéu do seu mestre com nanquim, para disfarçar um pouco o lastimável estado em que se encontrava.

Com empenho do professor Kano, o JUDÔ KODOKAN, vai se firmando e aos pouco progredindo, e após vária trocas de locais de treinamento, finalmente a sociedade japonesa começa a reconhecer o valor do novo esporte, até se firmar definitivamente por volta de 1897. De um simples professor de colégio, aos poucos Jigoro Kano também vai sendo valorizado por seus superiores, e funda uma academia de JUDÔ no colégio em que leciona e tendo toda autonomia da diretoria para formar os jovens nobres do futuro. Mas a vida de Kano é corrida, leciona, faz preleções e traduções e ainda ensina o JUDÔ.

Foi enviado à Europa pelo Governo, para observar a educação de vários países, regressando em janeiro de 1891 foi nomeado diretor do Quinto Colégio em Kumamoto, região de Kyushu, onde difundiu mais ainda o seu esporte. Depois de um ano e meio, retornou a capital, onde lecionou Literatura Inglesa na escola Koizumi Yakumo, onde teve como um dos seus alunos o escritor inglês Lafcadio Hearn que acabou casando com uma japonesa e se naturalizou japonês, este ficou muito impressionado dom os ensinamentos teóricos e práticos do JUDÔ, e publicou mais tarde um livro chamado "Sem Nada Forçar, Delicadamente, Vencer a Brutalidade", baseado nos ensinamentos que adquiriu com o professor Kano. Kano casou-se com Sumako, filha do Dr. Takezoe, então Ministro na Coréia.

Os alunos de Jigoro Kano destacaram-se nos campos da Ciência, Ensino, Política, Finanças e Funcionalismo. A educação tinha com base a etiqueta, trabalho e a formação moral, também é ensinado a frugalidade, o asseio e o companheirismo entre outras coisas. Jigoro Kano dava especial atenção a organização, então os alunos tinham horário para estudar as matérias da escola e do JUDÔ, faziam excursões de domingo, natação na praia no verão e outras atividades esportivas também.

Em 1893 Kano foi nomeado Conselheiro do Ministério da Cultura e diretor do Primeiro Colégio na capital, depois de apenas três meses chamam-no para assumir o cargo de diretor na Escola Superior de educação onde ficou até 1919. Com tanto empenho Jigoro Kano ficou conhecido com o "Pai da Educação Física no Japão". E este trabalho acabou sendo reconhecido no mundo todo, em 1909 o Barão de Coubertin (o idealizador do Jogos Olímpicos da Era Moderna) convidou Kano para ser o primeiro delegado oriental a participar dos Jogos Olímpicos, sua fama já era reconhecida na Europa pela divulgação do JUDÔ por lá.

O JUDÔ, foi conquistando novas fronteiras, e vários diplomatas, embaixadores oficiais e outros foram ao Japão somente para aperfeiçoar o seu conhecimento sobre este novo esporte, entre eles o General Grant, que foi o décimo-oitavo presidente americano, os professores Ladd da Universidade de Yale e Hughes da Universidade de Cambridge, depois destes vieram outros professores das Universidades de Oxford e Columbia, também veio o Conde Latour e Garland, então presidente e delegado do Comitê Olímpico Internacional.

Kano fez treze viagens ao exterior, sempre divulgando o JUDÔ e participando das organizações dos Jogos Olímpicos, até que na viagem de volta de uma assembléia do Comitê Olímpico Internacional realizada na cidade do Cairo, Egito, vem a falecer no dia 04 de maio de 1938, a bordo do navio Hikawa-Maru, vítima de pneumonia. A partir das Olimpíadas de Tokyo, em 1964 o JUDÔ foi incluído como modalidade olímpica.

1.12 - O ENSINO DO JUDÔ:

A Pedagogia a ser empregada no ensino do JUDÔ talvez tenha sido o primeiro grande desafio enfrentado por Jigoro Kano e seus companheiros quando da fundação do Kodokan, pois pretendendo eles que a nova arte fosse ensinada de modo racional, com métodos próprios e portanto, diferentes do então empregado, muitas coisas tiveram que ser mudadas, melhoradas, adaptadas e criadas quando necessárias. Portanto o nome Kodokan não é por acaso, o seu significado é:
KO - Fraternidade
DO - Caminho
KAN - Academia ou Escola

A tradução seria: ACADEMIA DO CAMINHO FRATERNAL.
E com base nessa fraternidade é que se tem o cuidado de manter a:

  INTEGRIDADE FÍSICA:
Quanto a integridade física, podemos dizer que um professor sem as qualidades e conhecimentos necessários, muito pouco terá para ensinar ou ensinará errado, principalmente as técnicas de projeção (nague-waza), técnicas de domínio (katame-waza), ukemis (amortecimento de quedas) etc., levando ao aluno muito pouco conhecimento e uma margem muito grande de possibilidade de sofrer algum tipo de acidente, além de uma carga excessiva de atividades físicas que irá desgasta-lo e desencoraja-lo. Também a não observância dos limites do aluno iniciante, deixando que os mais graduados se aproveitem da sua inexperiência, não é certamente a melhor forma de ensino, a conseqüência disso tudo será uma deturpação dos princípios de comportamento, respeito e deveres e tornar-se-á num ambiente desorganizado, anárquico e anti-pedagógico em prejuízo aos alunos, ao JUDÔ, a escola e ao próprio professor.

  INTEGRIDADE MORAL:
Sobre a integridade moral podemos dizer que o judoca pertence a uma classe de esportistas de elite, pela sua retidão, pelo seu comportamento, pela sua maneira de ser que exaltam e dignificam o nosso esporte, que o distingue dos outros. Um elemento sem essas mesmas qualidade fatalmente estaria pondo em risco o trabalho pioneiro de Jigoro Kano, toda a dedicação de professores, toda a tradição de mais de um século de existência, todo o idealismo daqueles que se dedicam com seriedade ao ensino, à prática e ao progresso do JUDÔ. Um elemento sem condição moral deve ser prontamente excluído por melhor que seja tecnicamente. Um professor sem pulso para colocar os seus alunos no caminho certo, estará contribuindo para a deformação moral dos mesmos.

  INTEGRIDADE INTELECTUAL:
O intelecto de uma criança, do jovem e mesmo do adulto desenvolve com o estudo, com a convivência diária, com os bons exemplos e também com a prática sadia de esportes. É também obrigação do professor estimular, corrigir, aconselhar e ajudar os seus alunos para que os mesmos progridam e tornem-se homens de bem e úteis a sociedade. O professor pode e deve complementar a educação do aluno, já que a prática do JUDÔ leva comprovadamente a correção de distorções do caráter das pessoas que o praticam.

1.13 - A ESCOLA:

A escola também merece nossa atenção, pois suas instalações devem preencher alguns requisitos básicos. É bastante comum, principalmente nas cidades pequenas e nas periferias das grandes metrópoles, encontrarmos instalações pobres, improvisadas, sem conforto, mas com pessoas interessadas e disciplinadas, o professor, rico em idealismo apesar da simplicidade, da singeleza e dos poucos recursos disponíveis, leva a sério o JUDÔ de Jigoro Kano cujo espírito é presente e cultivado. Devemos então reconhecer o esforço e a dedicação desse professor, não devemos nos esquecer que a primeira escola de JUDÔ era apenas de vinte metros quadrados.

Entretanto condene-se as instalações onde o desleixo, a falta de ordem e a falta de educação predominam. Condene-se também as academias ou escolas onde um aluno um pouco mais graduado faz as vezes do professor, porque este esta tratando de "seus negócios" particulares em horário de aula. Devemos evitar as academias onde a má vontade e o desinteresse estão presentes.
A academia mesmo que modesta, deve ser limpa, arejada, acolhedora, organizada, o tratamento cordial e alegre e respeitoso entre os alunos e o professor, e entre as demais pessoas que participam da academia. Os alunos devem sempre estarem com as unhas cortadas e o corpo sempre asseado, o kimono ou judogui deve estar limpo, enfim deve-se dar especial atenção à higiene.

1.14 - O ESPÍRITO DO JUDÔ:

"SEIRYOKU ZENYO" - Máxima eficácia.
"JITA KYOEI" - Prosperidade e benefícios mútuos.

  Conhecer-se é dominar-se, dominar-se é triunfar.

  Quem teme perder já esta vencido.

  Somente se aproxima da perfeição quem a procura com constância, sabedoria e sobretudo com humildade.

  Recebas um convidado com a mesma atitude que tens quando só, quando só mantenha a mesma atitude de quando recebes um convidado.

  Tenha cuidado com o que dizes e o que dizes, pratique.

  Quando Verificares, com certeza, de que nada sabes, terás feito o primeiro progresso no aprendizado do JUDÔ.

  Nunca te orgulhes de Ter vencido a um adversário, o que venceste hoje poderá derrotar-te amanhã. a única vitória que perdura é a que se conquista sobre a própria ignorância.

  O judoca não se aperfeiçoa para lutar, luta para se aperfeiçoar.

  O verdadeiro judoca é aquele que possui inteligência para compreender aquilo que lhe ensinam, paciência para ensinar o que aprendeu aos seus semelhantes e fé para acreditar naquilo que ainda não compreende.

  Ao testemunhar a boa ação de alguém, encoraje-se em seguir o seu exemplo.

  Uma pessoa pode parecer um tolo e no entanto não o ser. É possível que esteja guardando a sua sabedoria com cuidado.

  Praticar o JUDÔ é ensinar a inteligência a pensar com velocidade e exatidão e o corpo obedecer com justeza. O corpo é a arma cuja eficiência depende da precisão com que se usa a inteligência.

  A fraqueza é susceptível, a ignorância é rancorosa, o saber é a força da compreensão; aquele que compreende perdoa.

  Nas águas do rio da vida chega mais longe quem nada, como deve, quando deve e até onde deve.

  A modéstia é o alicerce de todas as virtudes. Deixe que teu próximo te descubras antes que te reveles à ele.

  Um coração nobre nunca projeta a si mesmo. Suas palavras são como jóias raras, dificilmente exibidas; mas de grande valor.

  Saber cada dia um pouco mais e usá-lo todos os dias para o bem, esse é o caminho do verdadeiro judoca.

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