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Centro de Lutas Nelson Morimoto
CREF 124-E/SP

Apostila de Judô

1.6 - VELHAS HISTÓRIAS:

Lenda e realidade, ninguém sabe exatamente onde termina uma e onde começa a outra na história do Ju-jitsu e consequentemente do Judô. Alguns textos mais antigos atribuem a criação do Ju-jitsu aos deuses Kashima e Kadori, que usavam de certos golpes para punir seus fiéis que cometiam algum tipo de falta.

Também conta-se a lenda de Nomino Sukune, um bravo e temível guerreiro que teria vivido cerca de 2.000 anos atrás, velhos pergaminhos contam as suas proezas. A maior delas, sem dúvida, teria ocorrido diante do imperador Sul-nin, quando Sukune, em poucos minutos, liquidou o arrogante Taimano Kehaya, que não conseguiu se defender dos golpes mortais do guerreiro Sukune.
Outra lenda conta que por volta de 1.650, um monge chinês, chamado Ching Gen Pin, idealizou alguns golpes terríveis e mortais denominados "tês", e anos mais tarde, vivendo no Japão, teria ensinado esses golpes a três samurais inferiores (kachis), que espalharam seus conhecimentos a alguns discípulos e, estes se encarregaram de fundar diversas academias, que disseminaram a luta pelo resto do país.

Uma das lendas mais conhecidas sobre a origem do Ju-jitsu, conta que um médico japonês chamado Akiyama Shirobei, teria aprendido na China, onde morou alguns anos, uma luta chamado "Wou-chou", que requeria grande esforço físico para a execução de alguns golpes. De volta ao Japão, Akiyama Shirobei, num dia de tempestade, observou que os fortes galhos de uma cerejeira quebravam com os fortes ventos e com o peso da neve, enquanto os finos galhos de um salgueiro simplesmente curvava não dando resistência ao vento e a neve, e logo retornava a posição de origem sem sofrer nenhum dano.

A partir desse princípio, "ceder para vencer", ele começou a modificar os golpes mais duros, de modo que uma pessoa fisicamente menos avantajada, tivesse condições de executá-los e assim enfrentar e vencer os adversários mais fortes. Fundou então, a "Yohin Riyou" (Escola da Medula do Salgueiro).

Durante o feudalismo japonês, consolidou-se um casta de nobres guerreiros, ligados por vínculos de tradição aos senhores feudais e ao imperadores, eram os "samurais", que dedicavam suas vidas ao estudo e aprimoramento das artes marciais, a quem o Ju-jitsu, deve seu desenvolvimento e permanência na cultura japonesa.

Cada linhagem de samurais, em torno da qual se organizava uma academia de Ju-jitsu, desenvolvia seus próprios golpes e se especializavam em um determinado estilo de luta, algumas se aprofundavam mais no estudo de chaves de articulação, outras nas técnicas de projeção e assim por diante. Não existia por tanto um Ju-jitsu padrão, havia casos em que os golpes eram mantidos em segredo absoluto, sendo transmitido somente a alguns discípulos muito especiais. Existiram várias academias famosas como a "Yoshin Riyou" e a "Takenouchi Riyou".

O Ju-jitsu ganhou grande popularidade, não somente entre os samurais, mas entre o povo de uma modo geral, e teve o seu apogeu no século XVIII (1701 a 1800). O seu declínio foi na época do imperador Mutsu Hito (1.867 - 1.912), conhecido como a Era Meiji - A Renascença Japonesa - com a aproximação do Japão com o mundo ocidental, houve profundas modificações e os velhos costumes foram considerados ultrapassados, entre eles o Ju-jitsu.

Além de tudo, o Ju-jitsu, era considerado uma arte anti-pedagógico, pois os combates eram realizados até a morte, e os alunos, grande parte crianças, aprendiam golpes baixos e mortais, levando-os a traumas irreversíveis.

1.7 - O NASCIMENTO DO JUDÔ:

Com a fase de decadência do Ju-jitsu, surgiu um jovem que na adolescência se sentia inferiorizado, sempre que precisava despender muita energia física para resolver algum problema, que mais tarde, em 1.882, modificaria o tradicional Ju-jitsu, unificando os diferentes sistemas, transformando-o num poderoso veículo de Educação Física. Seu nome era JIGORO KANO.

Quem lhe ensinou os primeiros passos no Ju-jitsu foi o professor Teinosuke Yagui. Posteriormente, em 1.877, matriculou-se na "Tenchin Shinyo Ryou", sendo discípulo dos mestres Hachinosuke Fukuda e Masatono Iso. A fim de melhor conhecer um outro sistema de Ju-jitsu, tempos depois, foi estudar na famosa "Kito Ryou", com o mestre Tsunetoshi Iikubo.

Pessoa de alta cultura geral, JIGORO KANO era um esforçado cultor do Ju-jitsu. Procurando encontrar explicações científicas aos golpes, selecionou e classificou as melhores técnicas dos vários sistemas de Ju-jitsu. Estabeleceu normas a fim de tornar o aprendizado mais fácil e racional. Idealizou regras para um confronto esportivo, baseado no espírito do “Ippon-shobu”(luta pelo ponto completo). Procurou demonstrar que o Ju-jitsu aprimorado, além de sua utilidade para defesa pessoal, poderia oferecer aos praticantes extraordinárias oportunidades no sentido de serem superadas as próprias limitações do ser humano.

Num combate, o praticante tinha como único objetivo a vitória, no entender de JIGORO KANO, isto era totalmente errado, uma atividade física deveria servir, em primeiro lugar, para a educação global do praticante. Os cultores profissionais do Ju-jitsu não aceitavam tal concepção. Para eles, o verdadeiro espírito do Ju-jitsu era o shin-ken-shobu (vencer ou morrer, lutar até a morte).

Por suas idéias, JIGORO KANO era desafiado e desacatado insistentemente pelos " educadores" da época, mas não mediu esforços para alcançar seu objetivo. Esse novo sistema desenvolvido por ele, foi denominado de "JUDÔ". Não foi uma escolha casual, já que o termo Ju-jitsu pode ser traduzido por "Técnica da suavidade", e a palavra Judô, é traduzido como "Caminho da suavidade". JIGORO KANO pretendeu assim, não apenas trocar o nome, mas acima de tudo mostra que o seu novo sistema era uma filosofia de vida.

Em 1.898, em uma de suas conferências, JIGORO KANO, assim se pronunciou: "Eu estudei o Ju-jitsu não somente porque achei interessante, mas também porque compreendi, que seria um meio mais eficaz para educação do físico e do espírito.(...) Porém, era necessário aprimorar o velho Ju-jitsu, para torná-lo acessível a todos, modificar seus objetivos que não eram voltados para a Educação Física ou para a moral, muito menos para a cultura intelectual.(...) Por outro lado, como as escolas de Ju-jitsu, apesar de suas qualidades, tinham muitos defeitos, eu concluí que era necessário reformular o Ju-jitsu, mesmo como arte de combate. (...) Quando eu comecei a ensinar, o Ju-jitsu, estava caindo em descrédito, alguns mestres ganhavam a vida organizando "espetáculos" entre seus alunos, através de lutas simuladas, outros se prestavam a serem artistas de lutas, junto com profissionais de outras modalidades de lutas.

Tais práticas degradantes, degeneravam uma arte marcial e isso me era repugnante. Heis a razão de ter evitado o termo Ju-jitsu e de ter adotado o termo "JUDÔ", e para distinguir da academia "Jikishin Ryou", que também empregava o termo Judô, denominei a minha escola de "JUDÔ KODOKAN", apesar de soar um pouco longo."

Em fevereiro de 1.882, JIGORO KANO, inaugurou a sua primeira escola, no templo budista "Eishô", com uma área de treinamento de apenas 12 tatâmis, e em julho, matriculou-se, Tsunejiro Tomita, seu primeiro aluno. Após Tomita, matricularam também Yoshiaki Yamashita, Shiro Saigo e Sakujiro Yokoyama, esses quatro formaram "as quatro colunas de sustentação do Kodokan".

1.8 - A EVOLUÇÃO DO JUDÔ KODOKAN:

Durante alguns anos, o idealizador do JUDÔ, atravessou uma fase difícil, principalmente pela falta de recursos financeiros para a manutenção da academia. Os mais temidos lutadores da época, impulsionados pela inveja, não se cansavam de desafiar os alunos de Jigoro Kano. Houve muitos encontros memoráveis com o intuito de testar a eficácia do JUDÔ KODOKAN.

Certa feita um lutador, conhecido por Tanabe, vence os melhores alunos do Kodokan, tratava-se de um grande especialista em técnicas de asfixia (shime-waza), aplicadas no solo. Tão logo um judoca o projetasse, Tanabe encaixava-lhe uma técnica de asfixia. Dessas derrotas Kano aprendeu uma lição. Era necessário aprimorar o JUDÔ nas técnicas de domínio (katame-waza), particularmente as desenvolvidas nas lutas de solo (ne-waza). Tanabe foi o único lutador que conseguiu derrotar os alunos de Kano.

Os alunos do Kodokan tinham fama de serem imbatíveis. Por isso, eram insistentemente desafiados. Aquele que conseguisse uma vitória sobre um dos alunos do Kodokan, na certa cresceria em fama. Naquela época ainda, se utilizava o " sistema de luta por desistência". Um dos combates que ficou na história foi o de Shiro Saigo contra o mais temido lutador de Ju-jitsu da "Yoshin Ryou", numa memorável luta que parecia interminável. A propósito de Shiro Saigo, foi escrito um belíssimo romance de aventuras, contando suas proezas no JUDÔ, com o nome de "Sugata Sanshiro", inclusive serviu de enredo para vários filmes.

Mas foi só em 1.886, após uma célebre competição, contra várias escolas de Ju-jitsu, organizada pela polícia, que definitivamente ficou comprovado o grande valor do JUDÔ KODOKAN. O resultado dessa jornada constituiu-se num marco decisivo na aceitação do JUDÔ, com o reconhecimento do povo e do governo que passaram oficialmente a prestigiar o JUDÔ KODOKAN.

Depois da célebre vitória de 1.886, como ficou sendo conhecida, o JUDÔ KODOKAN começou a progredir e expandir. A "fórmula" técnica do JUDÔ KODOKAN foi complementada a partir de 1.887, enquanto a sua fase espiritual foi gradativamente elevada em busca da perfeição. Em 1.922, a Sociedade Cultural Kodokan foi inaugurada e um movimento social foi lançado, com base nos axiomas " SERYOKU ZEN'YÔ" (Máxima Eficácia) e "JITA KYÔEI (Prosperidade e Benefícios Mútuos).

Entretanto em 1.897, quando o Kodokan estava instalado em "Shimotomizaka", possuindo uma área de 207 tatâmis, o governo funda uma escola nacional, que congrega todas as artes marciais, a "Butokukai". Apesar de Jigoro Kano ter idealizado o JUDÔ, em pouco tempo a Butokukai tornou-se uma forte rival do Kodokan. Posteriormente, as escolas superiores e profissionais da Universidade de Tokyo fundaram uma outra entidade, a "Kosen". Como é fácil de adivinhar , a Butokukai e a Kosen começaram a competir com o Kodokan.

O Kodokan tinha perdido a hegemonia, por outro lado, era o JUDÔ que ganhava novos praticantes. Jigoro Kano, com a finalidade de iniciar uma campanha de divulgação do JUDÔ, no ocidente, em 1.889, visita a Europa e os Estados Unidos, proferindo palestras e demonstrações.

Em 1.909, um fato marcante parecia devolver a hegemonia do JUDÔ KODOKAN. O governo japonês resolve tornar o Kodokan uma instituição pública, uma vez que a prática do JUDÔ estava tendo uma ótima aceitação. Como a mulher japonesa começou se entusiasmar pela prática do JUDÔ, em 1.923, o Kodokan inaugurou o departamento feminino.

Em 1.934, o Kodokan estava instalado em um prédio de três andares, ocupando uma área de 2.000 metros quadrados aproximadamente. Nessa época o JUDÔ começava a ser introduzido em quase todos as nações civilizadas do mundo, todavia no ocidente o nome Ju-jitsu ainda era usado embora, o nome de Jigoro Kano fosse citado.

Em 1.937, o Conselho da Indústria do Turismo, órgão do governo japonês, editava a tradução em inglês do primeiro livro escrito por Jigoro Kano, denominado "JUDÔ". Nesta obra o JUDÔ era abordado sob vários aspectos, inclusive havia inúmeras considerações sobre as técnicas de ataque aos pontos vitais (ate-waza), mas não havia nenhuma linha escrita sobre as regras de competição.

Como em 1.938, o Japão começou a sentir a ameaça da guerra, os militares deram um valor especial às chamadas artes marciais, que começaram a ser praticadas em todo o país, com um real espírito guerreiro. A Butokukai, recebia alunos de todas as partes do Japão para o treinamento do Ju-jitsu, Kendô, Karatê e do Kiudô (arte de atirar flechas), com o objetivo de utilizá-los durante os combates da guerra.

Mas com o final da guerra e a derrota do Japão, todas as atividades que inspirassem o "bushido" (espírito guerreiro), foram proibidas pelos norte-americanos, inclusive o JUDÔ. Entretanto em 1.946, conhecendo o verdadeiro espírito do JUDÔ de Jigoro Kano, os professores foram autorizados a ensinar o JUDÔ, por não considerá-lo uma arte marcial perigosa, nas escolas e para às tropas americanas.

Em 1.948, é fundada a Federação Nacional de JUDÔ, iniciando assim os primeiros campeonatos em âmbito nacional, após a guerra. A Butokukai foi definitivamente interditada e a Kosen, ficou subordinada ao Kodokan. Em 1.958, é inaugurado o novo Instituto Kodokan, denominado a Meca do JUDÔ, num edifício especialmente construído para a organização e a administração do JUDÔ, no Japão e no mundo, com um dojô de 500 tatâmis e seis outros menores, sendo três com 108 tatâmis e outros três com 54 tatâmis, que são utilizados para os mais diversos objetivos de ensino e treinamento, com departamento especial para crianças, mulheres, estudantes, competidores de alto nível e estrangeiros, além de abrigar dependências para a parte de administração, alojamento, restaurante totalizando 41 áreas específicas.

1.9 - O JUDÔ PELO MUNDO:

Fundado o Kodokan em 1.882, o JUDÔ encontrou no Japão um campo altamente propício a sua expansão, principalmente porque as artes marciais para uso real não despertavam mais interesse. então o JUDÔ supria a vontade do homem comum, do esportista principalmente, alastrou-se rapidamente pelo território japonês, mas para atravessar os mares e chegar a outros cantos do mundo teve muitas dificuldades.

Jigoro Kano, após ter definitivamente implantado o JUDÔ no seu país poderia muito bem ter encerrado os seus trabalhos na divulgação dessa nova arte, mas achava que os benefícios do JUDÔ, não poderia ficar restrito a apenas uma localidade, e que todos poderiam usufruir dessa educação. Chegou a viajar diversas vezes para outros países proferindo palestras e demonstrações.

Mas não era nada fácil, entre 1.889 à 1.891 percorreu a Europa, realizando conferências e demonstrações, mas a receptividade era pouca, talvez pelo fato de não haver "dojôs" para realizar os treinamentos. Entre 1.902 à 1.905 esteve na China e seus esforços também não encontraram apoio, talvez pelo fato daquele país ser o berço de várias outros estilos de lutas.

Nos anos de 1.912 e 1.913, Jigoro Kano realizou viagens entre a Europa e os Estados Unidos, tendo encontrado na América o trabalho realizado pelo mestre Yoshiaki Yamashita e sua esposa Fudeko desde 1.902 com alguns resultados positivos. Após essa época inicial, o JUDÔ foi sendo introduzido em vários países em teve boa aceitação pelos povos de várias culturas diferentes, tornando-se assim um esporte educacional praticado em quase todos os cantos do mundo.

1.10 - O JUDÔ NO BRASIL:

As referências do início do JUDÔ no Brasil são de 1.908 a bordo do navio "Kasato Maru", com a chegado dos primeiros imigrantes japoneses. Mas os primeiros registros são da década de vinte com Tatsuo Okoshi, seguindo-se por Katsutoshi Naito, Sobei Tani, Ryuzo Ogawa e outros mais.

Por outro lado, tem também o crédito de ser o introdutor do JUDÔ no Brasil Mitsuyo Maeda conhecido como "Conde Koma", que percorria o país na década de vinte aceitando desafios e apresentações de lutas. No início o JUDÔ estava restrito somente as comunidades de japoneses, com o passar do tempo e a natural aproximação entre os imigrantes e os brasileiros, o JUDÔ, começou a ser introduzido em outros meios, mas sempre sendo confundido com o Ju-jitsu.

A partir de 1.925, houve um grande impulso no JUDÔ, com a chegada ao Brasil de alguns professores japoneses, como: Takagi Saigo, Tatsuo Okoshi, Geo Omori, Katsutoshi Naito, Yasuichi Ono, Sobei Tani, Ryuzo Ogawa entre outros. Com o esforço e dedicação desses e outros o JUDÔ, rapidamente se consolidou como um dos esportes mais praticados do Brasil, consequentemente surgiram grandes competidores como: Kawakami, Hikari Kurachi, Augusto Cordeiro, Chiaki Ishii, Walter Carmona, Luiz Onmura, Douglas Vieira, Aurélio Fernandes Miguel, Rogério Cardoso Sampaio, Henrique Guimarães, Sebastian Pereira, Edinanci Silva, Daniele Zangrano, Tiago Camilo, Carlos Honorato e etc.

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